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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Um breve olhar sobre "O Vendedor de Sereias" (Robério Santos)


    De repente, surge uma dúvida se estamos lendo um livro de ficção ou se estamos sendo introduzidos, cirurgicamente, na ficção de uma realidade inusitadamente fantástica por, simplesmente, ser possível de se fazer real.
         Mito e história e fantasia e loucura razoável...
         Vender sereias e raptar inocência é algo tão rotineiro em nossa sociedade doentia e consumista que nos vemos espelhados nas tramas emaranhadas em um aparente caos que serve de ponte entre um cativante início e um arrebatador desfecho nesta obra densa - em sua leveza fluida; plástica - em sua tecitura estanque; viceralmente escorregadia - em sua verdade última...
        Robério Santos nos brinda com uma literatura cativante. Com alternadas doses de suspense, nas quais não se sabe se se deve - ou não! - continuar a ler e, no entanto, escoam-se páginas e páginas e, quando se vê, já não somos mais os mesmos, pois terminamos a leitura e nos tornamos, literalmente, cúmplices desta fascinante saga itabaianense, imersa no imaginário de um povo robusto que se descobre frágil por sua incrivél capacidade de busca e precisão naquilo que foca, estando, no entanto, muitas vezes, distante do atingimento de sua tão incessantemente ansiada meta: ser feliz!
      Trata-se, em suma, de uma denúncia social de grande alcançe sob uma subliminar aparência de "estorieta" "des"-contada... Sereia é medade "algo" e metade "outro"... Dualidade escondida em feição de uma unidade pretendida, em uma diversidade negada... Dois mundos em um só: centro e periferia... Ter e não-ter... Mas é preciso perceber que na capa do livro há um monumental "vazio" no carrinho de mão que nos incita a imaginação, induzindo-nos a sermos "carregados" pelo infante que um dia fomos, regando sonhos e "car"-regando a nossa própria realidade!
         Recomendo!

Jorge Pi         

sábado, 30 de julho de 2011

Os 3 últimos desejos de ALEXANDRE, O GRANDE


Recebi de um amigo, por e_mail, a inspiradora informação que aqui compartilho.

Alexandre, que, quando jovem, contara com o Filósofo Aristóteles como seu preceptor, externou como seus três últimos desejos:

1º - Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;

2º - Que fossem espalhados no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistado como prata, ouro, e pedras preciosas;

3º - Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou-lhe quais as razões desses pedidos e ele explicou:

1, Quero que os mais eminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;

2, Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;

3, Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Que Grande Lição!

domingo, 19 de junho de 2011

Hino a Itabaiana


       O que trago aqui nesta postagem, apesar de não ser um material profissional, tem um valor, se não de natureza histórica, ao menos, de ordem pessoal, que, de qualquer forma, gostaria de compartilhar com todos.
A história não é formada apenas pelos heróis e vencedores, mas, também, por aqueles que contribuem ou contribuíram com o sucesso alheio, em detrimento mesmo do que, às vezes, pareça ao julgamento apressado e desatento dos críticos severos que ignoram os insuspeitos e inusitados desdobramentos, bem como as diversas e variadas perspectivas, atrelados a um pequeno fato histórico que teima em se fazer perene no âmbito dos meandros e reentrâncias da memória de quem o vivenciou.
Trata-se de minha participação no Concurso do Hino do Centenário de Itabaiana, nos idos de 1988, com a defesa do Hino a Itabaiana (de minha autoria), sob minha própria e “corajosa” interpretação vocal (ou anti-interpretação!!! - rsrsrsr), tendo sido acompanhado, ao violão, por meu grande amigo Ivan Andrade (In Memorian), filho de D. Terezinha e de Sr. Raimundo (In Memorian), neto do Sr. Joãozinho Retratista (In Memorian), além de contar também com a ajuda do Coral do Grupo de Jovens da Igreja de Santo Antonio e Almas de Itabaiana, à época.
Ora, mesmo tendo, inicialmente, pensado em convidar a, então, jovem e já brilhante artista Amorosa para defender a minha música, decidi eu mesmo defendê-la, apesar de minhas gritantes limitações vocais, muito em razão de certa dose de acanhamento juvenil para chamá-la, mas também devido ao fato de que o próprio edital do concurso garantia que o julgamento não seria pela “qualidade da interpretação” e, sim, pela “composição em si”.
No entanto, este foi com certeza um grande erro, pois, assim que subimos no palco, eu - tremendo feito vara verde!  (rsrsrsrs) -, ao ouvir Ivan iniciando a afinação das cordas do seu violão, entrei em pânico e deduzi, equivocadamente, que já deveria começar a cantar e acabei atrapalhando tudo (rsrsrsrs).
Estupefatos, Ivan e o pessoal do coral tiveram que me socorrer às pressas, como quem se esforça tresloucadamente para pungar num ônibus cujo motorista, desembestado, dera o arranque louco e prematuro, por pura imperícia e a mais completa enfobação (rsrsrsr).           
Não, que, necessariamente, tenha sido essa a razão de meu insucesso no concurso, mas o fato é que, dos três participantes concorrentes naquela apresentação final, a primeira colocação ficou para o hino composto pelo Saudoso Dr. Uéliton (com a sua interpretação integrando o Grupo Asa Branca, no qual, a própria Amorosa abrilhantou com a sua presença) e, a segunda, para o hino de Luiz (componente da dupla “Luiz e Melcíades”, que costumava abrilhantar os barzinhos de então, como o “Le Romantique”, o “Tic Toc”, a “Lanchoteca”). Assim foi que, infelizmente, eu e meus desventurosos companheirinhos musicais fomos “premiados” com uma inapelável Medalha de Bronze (rsrsrsrs)!!!
Então, vejam o meu “projeto de vídeo” (na barra de vídeo abaixo)   no qual tomei a liberdade de utilizar as fotos do Grupo Itabaiana Grande, no Faceboock (http://www.facebook.com/home.php?sk=group_205271909509842&ap=1), e exercitem a paciência e a caridade para me ouvir cantarolando mais uma vez (e, ora, sem o estresse de outrora) o meu “Hino a Itabaiana” (numa gravação atual, porém, utilizando apenas um simplório “mp3”; gravação na qual, infelizmente, não pude contar com o belo som do violão de finado Ivan, além das amigas vozes do referido coral).

P.S.: por se tratar de uma mostragem a quem aprecia a cultura (no sentido de cultivo e de expressão da criatividade) e, levando em conta que me apresento, aqui, apenas como compositor, se desejarem podem colocar algodão nos ouvidos ou mesmo caírem na gargalhada, no que concerne ao “atabalhoado cantor”, pois garanto não vir a me chatear (rsrsrsrs).
  

Obs.: música e letra registradas no Escritório de Direitos Autorais – EDA/BN/RJ

Sob Título:
"GERMINAR" E OUTRAS - 69 (SESSENTA E NOVE) COMPOSIÇÕES (...)
Autor:
JORGE LUIZ PINHEIRO SOUZA – Jorge Pi
Registro:
505244, em 24/08/2010
Obra Publicada:
Não

#Todos os Direitos Reservados#


Em tempo, vejam outras obras minhas registradas também na Biblioteca Nacional:


HINO A ITABAIANA

                                                (Jorge Pi)

Ser, só ser! Existir! Labutar, pelejar, viver!

Altiva Itabaiana, secular cidade,
Do solo sergipano, coração e teto,
Lança a tua bênção pra nascer Felicidade
No seio do teu povo que te faz tão Forte!

Salve, Itabaiana!
Salve, linda terra!
Nossa vida, nosso berço,
Nossa casa-mãe!
                                                                                REFRÃO
Salve, linda serra,
Cimo desta terra!
Guardiã do céu azul
Da pátria-mãe-gentil!

A cada geração, teus filhos te proclamam
A mais querida terra que no mundo existe.
Lança a tua bênção pra nascer Felicidade
No seio do teu povo que te faz tão Forte!

            REFRÃO                                                  

Em toda a tua história, filhos tens, ilustres,
Do mais humilde lar ao bem mais refinado!
Lança a tua bênção pra nascer Felicidade
No seio do teu povo que te faz tão Forte!

            REFRÃO                                                  

Altiva Velha Loba, secular morada,
Do sol do nosso ser, tão terna mão-guarida,
Lança a tua bênção pra nascer Felicidade
No seio do teu povo que te faz tão Forte!

            REFRÃO                                                  

Ser, só ser! Existir! Labutar, pelejar, viver!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pequena Reflexão sobre o Decálogo Mosaico

- Moisés e as tábuas da Lei, de Gustave Doré (século XIX) -



Como é do conhecimento de todos, os "10 Mandamentos da Lei de Deus" são:



1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
2. Não tomar Seu Santo Nome em vão.
3. Guardar domingos e festas.

4. Honrar pai e mãe.
5. Não matar.
6. Não pecar contra a castidade.
7. Não furtar.
8. Não levantar falso testemunho.
9. Não desejar a mulher do próximo.
10. Não cobiçar as coisas alheias.



          Pois bem, meu filho Ian está fazendo o Catecismo na Paróquia de Santo Antonio e Almas de Itabaiana e, de repente, vimo-nos com a tarefa paternal de lhe assessorar no estudo do decálogo Mosaico. Tudo bem que seria o suficiente memorizar os dez itens e entender o significado de cada um deles. Porém, justamente neste último ponto (o significado de cada um dos mandamentos), deparamo-nos com uma consideração interessante, a respeito da qual não pudemos nos furtar a esta pequena reflexão que aqui compartilhamos.
Antes, porém, devemos esclarecer que esta reflexão não está circunscrita nos limites exclusivos dos dogmas ou doutrinas religiosos de qualquer instituição judaico-cristã. Trata-se, tão-somente, de um livre exercício de pensamento, tendo como fim a busca da verdade contida neste código milenar.
Quer sejamos ou não fiéis às nossas crenças assimiladas desde a mais tenra juventude, o fato é que somos, em grande medida, um construto de nossa formação cultural, cabendo-nos apenas seguir viagem cegamente por sobre os trilhos previamente traçados ou considerarmos reflexivamente os dados recebidos sob a luz da razão, podendo chegar a uma possível concordância da tese herdada ou vir a empreender a construção de uma inesperada antítese, donde, pelo viés de uma ou da outra, sempre haveremos de chegar a uma síntese, na qual poderemos nos descobrir diferentes daquilo que éramos antes da obtenção do conhecimento tradicional, durante a sua assimilação e após tal atividade reflexiva necessária para o parto conceitual de nós mesmos, no mundo.        
Ora, os Mandamentos são dez. Mas, se prestarmos bem a atenção, podemos dividi-los em dois conjuntos de cinco mandamentos. Um (abrangendo, do primeiro ao quinto), voltado para as coisas da Eternidade em nós: aquilo que, em nós, foi feito à imagem e à semelhança de Deus: o Reino de Deus. O outro (do sexto ao décimo), para as da Temporalidade: as relações sócio-histórico-afetivas no mundo em que vivemos: o reino humano. Senão, vejamos.
Amar a Deus sobre todas as coisas pressupõe, simplesmente, não valorizar nada que exista neste mundo julgando o que quer que seja como estando acima da relação pessoal de contato ou União com o Divino, em nós; o que consiste na prática mística, por excelência, da busca pelo Silêncio do Eu Exterior em prol do despertar da Consciência Interior do Homem Verdadeiro, o Eu Interior, aquele que, tendo sido criado à Imagem e Semelhança de Deus, por Legítima Herança Creacional, precisa ser estimulado ao máximo para que, como Filho do Homem, venha a glorificar o Pai que está no céu, sendo esta a verdadeira missão humana na Terra.
A título de exemplificação vivencial, podemos nos visualizar sentados, quietos, física, mental e emocionalmente, em atitude meditativa, com o intuito apenas de nos sentirmos localizados no Centro do Universo, numa perspectiva de abandono de todas as nossas dúvidas, certezas, verdades e mentiras, entregues mesmo nos braços da Existência e comungando com o Eterno, numa conexão provida de um indelével sentimento de Confiança na Providência Divina, na mais exata assunção do significado da expressão “ASSIM SEJA!”. Esta é a única e verdadeira forma de sentirmos o Deus do nosso Coração tão poderosamente Presente no Sanctum Sanctorum do nosso Ser que se faz Uníssono com o Ser Cósmico do Deus Todo Poderoso, por participação benfazeja na Graça advinda do Divino Espírito Santo, bastando apenas que cedamos à Vontade Trina e Una do Eu Sou O Que Sou, o Consonantal Impronunciável Iod-He-Vau-He, que pode vir a se fazer Pronunciável através da nasalização Iod-He-Shin-Vau-He da Ação Redentora da Consciência Crística na Humana Idade dos Homens e Mulheres de Boa Vontade.
Portanto, mais do que uma imposição, este primeiro mandamento é, na verdade, uma dadivosa permissão do próprio Deus Pai para que Sejamos Unos com Ele como o Seu Filho Amado o Foi, É e sempre há de Ser, através da misteriosa Comunhão do Divino Espírito Santo. E tudo isto, se possível, em cada momento de nossas vidas, fazendo de nossa própria respiração o ritmo compassado e sereno de nossa amorosa relação com Deus em detrimento de tudo o mais, numa verdadeira e radical atitude presentificadora de Oração e Vigilância para que não venhamos a cair, quando estivermos em tentação, conforme nos ensinou o Mestre Jesus.
Não tomar Seu santo nome em vão é buscar não sair do Estado de Oração e Vigilância contínuas, em cada instante de nossas vidas e onde quer que estejamos, coisa a que facilmente sucumbimos, dada a nossa natureza carnal corruptível. O Iod-He-Vau-He é Temeroso Distanciamento que pode vir a se fazer Amorosa Aproximação e Inalienável Identificação, mediante a Presença nasalizadora do Shin em nossa experiência avatávica de Realização da Vontade de Deus de que seja manifesto o Seu Reino dos Céus na Terra, através da Consciência Crística ativada em nós por nosso próprio empenho e livre arbítrio.
Por isso, como nos ensinou a Beata Irmã Dulce, mais que “falar” sobre Caridade (a essência da bondade) é necessário que “façamos” Caridade, quer dizer, que Sejamos a Expressão Consciente da Essência da Bondade do Amor de Deus, no mundo. Ou, como nos ensinou São Francisco de Assis, que sejamos Instrumentos da Paz do Senhor na sociedade, pois se existe uma forma de o Impronunciável Nome de Deus vir a ser Pronunciável é na reverberação do Verbo Divino e Criador de Todas as Coisas Visíveis e Invisíveis, por intermédio da Atualização do Grande Arcano em nós, postos em Rota Ascendente Espiralada na condição de Portadores, Mantenedores e Protetores do Santo Graal da Compreensão do Doce Mistério da Vida.
Dessa forma, Não tomar Seu santo nome em vão consiste tão-somente em “fazer” a Vontade de Deus e não somente “falar” friamente o seu Santo Nome, “da boca pra fora”, sem a necessária experiência vivencial carregada de uma “tomada de consciência” do Significado Profundo e Verdadeiro do “Eu Sou O Que Sou” em nossos mínimos atos, palavras e ações.
Guardar domingos e festas é envidarmos todos os esforços para não desperdiçarmos as maravilhosas oportunidades de pausa em nossas atividades sociais, profissionais e até familiares. Os domingos, os dias santificados e até mesmo as férias e os feriados deveriam ser utilizados como um laboratório para o aprimoramento do nosso direito ao cumprimento do Primeiro Mandamento, Amar a Deus sobre todas as coisas, uma vez que se torna muito difícil (apesar de não impossível e até mesmo necessário), em nossas atividades diárias normais, o exercício do nos fazermos presentes no Aqui e Agora da Existência, semelhante à experiência do Shabat para os Judeus.
Ou seja, uma verdadeira “colher de chá” para a humanidade autômata e dorminhoca, vez que sempre, ou o mais das vezes, estamos projetados para o “futuro” ou apegados ao “passado”, não nos permitindo o divino deleite do sermos o que somos, em consonância com o nosso Dharma pessoal, em detrimento mesmo daquilo a que insistimos em nos circunscrever, emaranhados aos nossos inúmeros compromissos cármicos (sejam bons ou ruins), apesar de que por estes últimos é que somos pedagogicamente incitados pelo Cósmico para, enfim, encontrarmo-nos face a face com o Senhor, quando da aproximação do inevitável e auspicioso Áureo Alvorecer em nossa Psiqué.
No que se refere ao quarto e ao quinto mandamentos, pode parecer estranha a inclusão dos mesmos como estando voltados para as coisas da Eternidade em nós, como dissemos acima. O mais comum é entendermos apenas os três primeiros mandamentos dentro desta categoria e os sete seguintes voltados para as nossas relações mundanas e sociais. Porém, podemos ousar e confrontar aquilo que se nos sugere como óbvio, mediante uma apreciação mais aprofundada ou mesmo subliminar, lembrando que a letra mata, mas o espírito vivifica.
Surge, então, uma questão muito simples: o que representam os nossos pais e a sombra da morte para todos nós que comungamos o hálito da Vida? Também, de forma muito simples, podemos responder: dois Portais!
Sim, é através do Portal Pai-Mãe que adentramos na Temporalidade e somente através do tão temido Portal da Morte que retornamos à Eternidade. Além do mais, desonrar pai e mãe é não exercer o nosso dharma, na vida; pois, nascemos com um propósito, uma Areté, que nos foi confiada pelo Criador, o que nos torna - a todos – únicos e especiais, desde que saibamos e queiramos fazer brilhar a nossa própria Luz Interior.
Portanto, devemos Honrar pai e mãe, não com o ímpeto de quem adora a um Deus e a uma Deusa, mas como reconhecimento de que o Criador pôs-nos no Cenário da Vida através do mais adequado dos Portais, uma vez que Ele é Onisciente, Onipotente e Onipresente.
A injunção não matar, por outro lado, refere-se ao inalienável direito de todos a somente atravessar o Portal Derradeiro da Vida por decreto divino e, não, humano. Não temos o direito de aniquilar toda uma carga genética ancestral sintetizada em um indivíduo. Sim, pois matar é desonrar os pais dos outros, no sentido de que cerceamos um bandido, por exemplo, de se arrepender e vir a se regenerar, fazendo brilhar sua Luz Pessoal, eventualmente ocultada por erro de opção no jogo da vida. Além disto, mais do que por seu teor genérico, o mandamento não matar pode e deve ser entendido expansivamente, como um anúncio ecológico-apologético à prática da Fraternidade Universal, dirigida a todos os reinos – mineral, vegetal, animal e humano, tendo por fim o ingresso ao Reino de Deus. Não matar, ou não aniquilar, ou não extinguir, ou não exaurir os recursos naturais, hídricos, florestais, animais, humanos, culturais, etc.. Sim, pois tudo deve co-existir em harmonia, uma vez que o desejo insano e escravizador de poder controlador do Homem Mortal não operasse com tanta liberdade como podemos ver história humana afora. Daí concedermos uma maior importância à Eternidade do que à Temporalidade para estes dois mandamentos uma vez que eles são apenas pontos de referência para trás e para frente, no que concerne à Vida Eterna que perpassa a Temporalidade por intermédio dos mesmos. Ou seja, diz respeito ao Homem Interior.
Outrossim, do sexto ao décimo mandamentos, repetimos, o direcionamento é todo voltado para o Homem Exterior e suas relações sócio-histórico-afetivas no mundo em que vive: o reino humano (inscrito nos limites da Linha da Vida, cujos início e fim são os Portais discriminados no quarto e no quinto mandamentos).
Não menos importantes, por detrás destas cinco últimas assertivas é que reside O Grande Segredo para equalizarmos a Economia da Vida: não pecar contra a castidade, não furtar, não levantar falso testemunho, não desejar a mulher do próximo e não cobiçar as coisas alheias!
Entre o nascimento e a morte, temos que ser castos em nossas palavras, atos e pensamentos, não somente no sentido de abstinência sexual, mas, também verbal, comportamental e ideológico. Primando pela observância do princípio do Equilíbrio em todos os setores de nossa vida, não deveríamos ceder às tentações de nos impacientarmos, por exemplo, com ocorrências rotineiras eventualmente desagradáveis, com a fácil adesão a julgamentos precipitados e preconceituosos de qualquer espécie, que nos leva a ser engolidos nas areias movediças da intolerância, distanciando-nos do oásis da Compaixão para com todos os nossos irmãos em Humanidade com os seus defeitos peculiares à sua constituição de transeuntes desorientados à procura da Flor Sagrada da Felicidade, num mundo conturbado pelo orgulho e pela vaidade. Se não inocentes, ao menos, deveríamos nos esforçar por nos conservar – ou nos tornar - puros de coração, através da via do arrependimento e da regeneração.
Quanto ao sétimo mandamento, além de não roubar a propriedade alheia que, por direito, não nos pertença, deveríamos também não subtrair as idéias de outrem que, por natureza, não sejam de nossa alçada; bem como, não lhes privar de sua completude, para não ingerirmos, mais tarde, o amargo fel do remorso, da tristeza e da solidão. E, já que possuímos o nosso próprio brilho, deveríamos, principalmente, não furtar o brilho dos outros, pois estaríamos nos furtando a nós mesmos, no que diz respeito ao privilégio de sermos o que somos, em essência: diletos Filhos de Deus, apesar de que nos encontremos, o mais das vezes, atolados em meio ao lodaçal pantanoso do pecado e da corrupção.
Não levantar falso testemunho é sermos Viventes na Verdade, em detrimento do preço a pagar, pois mais vale a miséria de Consciência Limpa do que a fortuna no desassossego e na dor. E mesmo na omissão, levantamos falso testemunho justamente por não nos predispormos a agir como agentes da Verdade. Com toda certeza, o falso testemunho nos distancia das calorosas e confortadoras vibrações do Verbo Divino que se fez carne e habitou entre nós. Em vez disto, aproxima-nos do Reino da Mentira, no qual imperam a malícia e o subterfúgio, tendo como conseqüência, a estagnação e o auto-aniquilamento.
Não desejar a mulher do próximo é preservar a estabilidade e a harmonia na sociedade. O curioso é que deve ser considerado também como não desejar o marido da próxima. Pois, dadas as características da sociedade patriarcal/paternalista dos antigos Hebreus, este mandamento nos é transmitido, anacronicamente, sem a devida atualização aos nossos costumes modernos, nos quais, à mulher é dada a possibilidade de direitos iguais aos dos homens. Assim, o respeito e a honra são princípios que devem ser priorizados nas relações humanas, bem como terem livre trânsito na valiosa via de mão dupla da Consideração. Havendo o predomínio da razão, a insanidade é dissolvida e o arrependimento, abortado, antes mesmo de ser concebido.
Por fim, não cobiçar as coisas alheias consiste, simplesmente, em não as priorizar e, sim, preferir a experiência de amar a Deus, sobre todas as coisas. Desta forma, poderão ser retomados todos os Mandamentos, sendo repassados um a um, como as preciosas pedras de um rosário, numa prática benfazeja e santificadora, em consonância com a finalidade última da sua Inscrição em letras de fogo, outrora, no Monte Sinai. Sendo assim, este último mandamento é a boca da cobra do conhecimento da verdade a morder a própria calda; é o retorno ao início de tudo quando se chega ao fim derradeiro e se atinge um nível mais acima, formando uma trajetória espiralada e ascendente que dignifica a Caminhada e glorifica os Passos que, seqüenciados, consolidam o Caminho e dão sentido ao Caminhar.


Jorge Pi     
               
                                        
     
 

domingo, 15 de maio de 2011

Da “DIDÁTICA MAGNA” de Comenius



Jan Amos Komenský (Comenius)


 (UMA APRECIAÇÃO DOS CAPÍTULOS
V, VI, VII, VIII, X, XI, XII, XIV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX E XXIV) 


1 – CRÉDITOS.

            A Didática Magna, ou A Grande Didática, é a obra-prima de Jan Amos Komenský, nome original de Comenius, que nasceu em 28 de março de 1592, na cidade de Uherský Brod (ou Nivnitz), na Moravia, região da Europa central pertencente ao antigo Reino da Boêmia (atual República Tcheca). Comenius também nos legou O Labirinto do Mundo (1623), Didactica checa (1627), Guia da Escola Materna (1630), Porta Aberta das Línguas (1631), Didacta Magna (versão latina da Didactica checa) (1631), Novíssimo Método das Línguas (1647), O Mundo Ilustrado (1651), Opera didactica omnia ab anno 1627 ad 1657 (1657), Consulta Universal Sobre o Melhoramento dos Négocios Humanos (1657), O Anjo da Paz (1667) e A Única Coisa Necessária (1668) entre outros.

2 – PLANO GERAL DA OBRA “DIDÁTICA MAGNA”.
 
            Publicada pela primeira vez na Opera Didactica Omnia (Amsterdam,1657), a Didática Magna (Didactica Magna) consiste na tradução latina da primitiva Ceská Didaktica (1632/33-1638), como parte de um conjunto mais vasto de obras (Ráj Ceský – Paraíso Boêmio; originalmente Ráj Cirkve, ou seja, Paradisus Ecclesiae renascentis: deveria compor uma Didática geral). Comenius decidiu traduzir a Didática tcheca para o latim e modificou algumas de suas partes, deixando de dedicá-la à “nação boêmia”, passando a dedicá-la a todos os que presidem os assuntos humanos, aos ministros de Estado, aos pastores das Igrejas, aos diretores das escolas, aos pais e aos preceptores dos jovens. Na tradução latina o Ráj Ceský se transformou em prefácio da Didática. A Didática tcheca nunca foi publicada durante a vida de Comenius. O manuscrito original foi encontrado em 1841 por J. Purkynë e foi publicado pela primeira vez em Praga no ano de 1849, por W. W. Tomek. Na tradução latina da Didática (que ficou pronta por volta de 1638) foram acrescentados os capítulos que dizem respeito à organização das escolas em cada um dos quatro graus: materna (cap. XXVIII), vernácula (cap.XXIX), latina (cap. XXX), Academia (cap. XXXI) e o capítulo sobre a ordem universal das escolas (cap. XXXII).
            Comenius mandou um exemplar a Hartlib e pediu o parecer do amigo Joachim Hübner, para saber se era pertinente publicá-lo como preâmbulo à pansofia. Hübner, conselheiro do eleitor de Brandeburgo, historiador, amigo de Hartlib, apresentou um parecer vasto, minucioso e absolutamente negativo. Ele imaginava encontrar uma obra totalmente diferente daquela que lera, então, passara a se opor ao projeto de sua publicação. Aliás, nas últimas cartas a Hartlib, não somente dissuadiu-o de publicá-la, mas também de difundi-la sem discernimento. Os motivos de tal parecer teriam sido dois: o primeiro é que a obra nem mesmo estaria pronta para ser publicada; o segundo é que não é adequada a introduzir a pansofia. Ademais, com referência ao mérito da obra, a maioria das pessoas ficaria irritada com a discrepância entre o título, demasiado penhorante, e todo o resto da obra; estando tão distante de ensinar a arte de ensinar a todos que até o momento sequer lhe parecia estar definido o que significa realmente ensinar, e no que o ensino difere das outras ações que, sobretudo por meio da palavra, são exercidas em proveito do homem pelo homem. As coisas que, nos capítulos iniciais, foram misturadas a respeito de Cristo, da bem-aventurança e outras questões cristãs, não questionados pela maioria dos cristãos, mas rejeitadas ou postas em dúvida pelos turcos, hebreus e pagãos, deveriam ser convencidos por argumentações melhores que as ali apresentadas.
            Em decorrência disso, por cerca de vinte anos, Comenius abandona o projeto. Mas o retoma por volta de 1658, colocando-o no início da Opera Didactica Omnia, publicada em Amsterdam, fazendo também em Ventilabrum Sapientiae uma defesa apaixonada da obra, em resposta às críticas impetradas por Hübner, com quem, no entanto, continuara mantendo afetuosas relações de amizade. A obra deveria iniciar-se com a definição de Didática e ensinar a arte de ensinar em si, e nada mais, não sendo dirigida aos doutos e sim ao povo, para o tirar da letargia geral do sono profundo. Assim, a Didática Magna (cujo método baseava-se em três princípios, quais sejam, analogia com o método natural, caráter gradual e cíclico do ensino e o vínculo entre palavras e coisas, indo do geral ao particular, da parte ao todo) fora publicada como havia sido elaborada vinte anos antes, tendo recebido de Leibniz, após a morte do autor, um parecer mais que positivo. Havia mesmo, em toda a extensão do livro, um sutil apelo aos eruditos, para que fundassem um Colégio capaz de elaborar livros “panmetódicos”, refletindo, assim, a exortação de Lutero quanto a ser o homem bom e sábio a relíquia preciosa e verdadeira do Estado.

3 – UM RESUMO DOS CAPÍTULOS V, VI, VII, VIII, X, XI, XII, XIV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XX e XXIV.

            No capítulo V, Comenius propõe que as sementes da instrução, das virtudes e da religião estão, naturalmente, em nós mesmos. Não entendendo a natureza como a intrínseca degeneração depois do pecado, mas o nosso estado primitivo e original, ao qual haveremos de ser reconduzidos como no princípio. Tudo o que é existe para um fim e para que pudéssemos atingi-lo, fomos dotados dos órgãos e instrumentos necessários e de uma certa inclinação: o homem foi criado com aptidão para entender as coisas, para a harmonia dos costumes, para o amor a Deus acima de todas as coisas. E quais são, em nós, os fundamentos da sabedoria, das virtudes, da religião? Todo homem é imagem de Deus. Nosso pequeno corpo tem limites: a voz pouco alcança, a visão circunscreve apenas a altura do céu. Mas a mente não tem limites, ela é capaz de penetrar as mais infindáveis alturas tanto quanto as mais abismais profundezas. Os filósofos definiram o homem como microcosmo, uma síntese do universo na qual encerra em si todas as coisas por toda a extensão infinita do macrocosmo. A mente do homem é uma semente que contém em si a erva ou a planta.
            Na primeira infância e por toda a vida, os olhos, os ouvidos, o tato e a própria mente, em busca de alimento, sempre estão sendo levados para fora de si; pois, para a natureza ativa nada mais odioso que a preguiça e o ócio. Naturalmente, os incultos, sem esperança, admiram aqueles que eles consideram superiores. Porém, há diversos exemplos de autodidatas que, apenas com a orientação da natureza, a tudo conseguem alcançar. Mas, como a luz interna do homem não está acesa, ficando então suscetível às opiniões alheias, ele está como que em estado de suspensão provisória. No entanto, no dizer de Sêneca: “São inatas em nós as sementes de todas as artes, e Deus, nosso mestre, extrai engenhos do oculto”.
            Nos movimentos da alma são os desejos e os afetos que a fazem pender para um lado ou para outro. Se aos desejos e aos afetos não for atribuído um peso excessivamente grande só poderá seguir-se a harmonia e o acordo perfeito das virtudes, ou seja, um conveniente equilíbrio entre ações e paixões.
        Aliás, as raízes da religião estão no homem, pelo fato de que ele é a imagem de Deus. Isto é evidenciado também pelo exemplo dos pagãos, que, mesmo sem a orientação da divina palavra, conheciam a divindade, veneravam-na, desejavam-na, mesmo enganados quanto ao número e à maneira de cultuá-la. E como o Apóstolo Paulo diz: tudo posso naquele que me fortalece (Fp IV, 13), se um tenso broto enxertado em qualquer arbusto silvestre, germina e frutifica, porque não ocorrerá o mesmo num indivíduo, de modo apropriado? Abstenhamo-nos de limitar a graça de Deus. Ele está pronto a derramá-la sobre nós com prodigalidade. Se nós, enxertados em Cristo através da fé nos declaramos não idôneos do reino de Deus, como Cristo poderá ter afirmado sobre os pequeninos que deles é o reino de Deus? E por que nos remete a eles, dizendo que devemos mudar e converter-nos em criança, se quisermos entrar no reino dos céus (Mt XVIII, 3)? Para o homem é mais natural e mais fácil tornar-se sábio, honesto e santo pela graça do Espírito Santo do que desse progresso ser impedido pela sobrevinda perversidade, porque tudo volta facilmente à sua própria natureza. Ademais, a Escritura adverte que a sabedoria é facilmente divisada por aqueles que a amam. E, como disse o poeta Venosa: “Ninguém é tão selvagem que não possa melhorar, se der ouvidos, docilmente, aos ensinamentos”.
        No capítulo VI, Comenius, no intuito de mostrar que o homem, para ser homem, precisa ser formado, diz que a natureza dá as sementes da ciência, da honestidade, da religião, mas não dá a ciência, a virtude, a religião; estas são adquiridas com a prece, o estudo e o esforço pessoal. Ninguém pode se tornar homem sem disciplina. É próprio de Deus conhecer tudo, num único e simples ato intuitivo, mas ao homem e ao anjo não é dado este privilégio. Ninguém é realmente homem se não aprendeu a se comportar como homem, ou se não fora formado nas coisas que fazem o homem.
A educação é necessária para todos. Porém, na realidade, as pessoas mais inteligentes têm mais necessidade ainda da educação; porque a mente aguda, se não estiver empenhada em coisas úteis, ocupar-se-á com as inúteis e perniciosas, como se fora uma espécie de campo fértil que não é semeado com sementes de sabedoria e virtude. E o que são tanto os ricos como os pobres sem sabedoria, senão, os primeiros, porcos engordados com farelo, e, os segundos, burros de carga?
            No capítulo VII, vemos que a formação é muito fácil na primeira infância: ou melhor, só pode ser dada nessa idade. A condição do homem, assim, é muito semelhante à de uma árvore frutífera que pode crescer sozinha e dar frutos silvestres; porém, para produzir frutos doces e maduros é preciso o cultivo de um experiente agricultor que a plante, a irrigue e a pode. Com o homem dá-se o mesmo: por si só, cresce com feições humanas, mas não poderá tornar-se animal racional, sábio, honesto e piedoso se antes não forem nele enxertados, enquanto ainda jovem, os brotos da sabedoria, da honestidade e da piedade.
No capítulo VIII, Comenius adverte-nos da necessidade de toda a juventude receber uma formação conjunta nas escolas. Raros são os pais que sabem ou podem educar os seus filhos, tendo tempo suficiente para isto. Felizmente há pessoas escolhidas para instruí-los. Eminentes pela cultura e pela austeridade dos costumes: os chamados preceptores, pedagogos, mestres e professores. Tudo o que é necessário à administração doméstica, um pai de família confia a vários colaboradores: quando precisa de farinha, de carne, de bebidas, de roupas, de sapatos, de uma construção, solicita os serviços daqueles que o possam ser úteis; a quem recorrer quando o que se precisa é garantir a formação dos próprios filhos, senão aos mestres, em suas respectivas escolas, em meio ao estimulante convívio com outros jovens sequiosos do saber? As escolas, portanto, devem preparar, purificar, multiplicar a luz do saber e distribuí-la por todo o corpo da comunidade humana.
            No capítulo X, Comenius constata que a educação nas escolas deve ser universal. Todos devem aprender a conhecer os fundamentos, as razões, os fins das coisas mais importantes, que existem ou existirão. E é preciso garantir que ninguém se depare com alguma coisa tão desconhecida que não consiga sobre ela emitir um juízo moderado ou dela fazer um uso adequado. O prazer em Deus é o grau supremo de felicidade nesta vida, porque o homem, sentindo que Deus lhe é eternamente propício, não faz nem deseja outra coisa senão aquietar-se suavemente imerso na misericórdia. Finalmente, Deus, encarnando, ensinou que estas três coisas devem estar em todos e em cada um. Por isto, na escola é preciso ensinar a todos todas as coisas que digam respeito ao homem, ainda que depois uma delas venha a ser mais útil a um, e outra a um outro.     
            No capítulo XI, é constatada a inadequação entre os fins da escola e a realidade daquelas existentes até a época de Comenius. Corresponde a seus fins a escola onde as mentes dos discentes sejam iluminadas pelo furor do saber, onde os corações ardam de amor pela divindade, onde todos aprendam totalmente tudo. Lutero desejou que fossem edificadas escolas para a instrução de ambos os sexos e que o método do ensino infantil fosse mais fácil para que os pequeninos aprendessem com prazer. Mas as escolas em geral são espantalhos formadores de espíritos fracos e petulantes. Portanto, não é devida a preservação aos nossos pósteres uma educação aquém das finalidades a que devem estar atreladas.
          As escolas podem ser reformadas e melhoradas: este é o título do capítulo XII. Nele, Comenius propõe uma organização escolar na qual toda a juventude nela seja educada em todas as coisas que possam tornar o homem sábio, honesto e piedoso; cuja preparação seja concluída antes da idade adulta, bem como se desenvolva sem severidade e sem pancadas, mas com a máxima delicadeza, suavidade e de modo espontâneo; um ambiente no qual todos sejam educados para uma cultura não vistosa mas verdadeira; enfim, na qual essa educação não seja cansativa, mas facílima.
            Tendo como norma a idéia de que a ordem exata da escola deve ser inspirada na natureza e ser tal que nenhum obstáculo a retarde, no capítulo XIV, Comenius nos incita a procurar os fundamentos sobre os quais se possa edificar um método de ensino e de aprendizado. Os remédios contra os defeitos da natureza deverão ser buscados na própria natureza: a arte nada pode se não imita a natureza. Um peixe a nadar é um fato natural. Mas se o homem quiser imitá-lo deverá mover os braços em lugar das barbatanas e os pés em lugar da cauda. Isto porque as coisas artificiais ocorrerão com facilidade e espontaneidade, assim como ocorrem com facilidade e espontaneidade as coisas naturais.
          No capítulo XVI, Comenius nos fala sobre os requisitos gerais para ensinar e aprender ou de como se deve ensinar e aprender com a certeza de atingir o objetivo. Ele nos lembra que é Deus quem realiza tudo em todas as coisas. Aqueles que educam a juventude têm apenas a tarefa de espalhar bem as sementes das ciências nos espíritos e de irrigar cuidadosamente as plantinhas de Deus. E que a arte da plantação espiritual pode ser edificada sobre fundações tão sólidas que nunca possa falhar, mas apenas prosseguir com segurança.
           O capítulo XVII é dedicado aos princípios em que se funda a facilidade de ensinar e de aprender. Ali podemos ver que a educação dos jovens desenvolver-se-á facilmente se iniciada cedo; se ocorrer com a devida preparação dos espíritos; se proceder das coisas mais gerais para as particulares e das mais fáceis para as mais difíceis; se nenhum aluno for sobrecarregado com coisas supérfluas; se em tudo se proceder lentamente; se as mentes só forem compelidas para as coisas que naturalmente desejarem por razões de idade e de método; se tudo for ensinado por meio da experiência direta, para utilidade imediata e com um método imutável, único e assíduo.
         No capítulo XVIII, Comenius se ocupa com os princípios em que se fundamenta a solidez no ensinar e no aprender. De fato, é freqüente as pessoas se lamentarem de que uns poucos saem da escola com instrução sólida, enquanto a maioria sai apenas com um verniz superficial. E haverá remédio para esse mal? Certamente. Isto será obtido se só forem estudados assuntos de inquestionável utilidade, estando todos juntos, sem separação entre eles; se a tudo forem atribuídos sólidos princípios; se esses princípios forem muito aprofundados; se tudo se apoiar nestes fundamentos; se tudo o que precisar ser distinguido, for distinguido de modo bem claro; se tudo o que é posterior se fundamentar no que for anterior; se tudo o que tiver relação for relacionado para sempre; se a tudo for dada uma ordem que tenha relação com o intelecto, a memória e a língua; enfim, se tudo for consolidado com exercícios constantes.
          Comenius, no capítulo XIX, fala-nos sobre os princípios de um ensino rápido e conciso. Diz-nos que devemos imitar o sol, no céu, que é o exemplo mais sublime oferecido pela natureza.
No capítulo XX, vê-se o método para ensino das ciências em geral. São necessárias quatro condições para o jovem que deseje descortinar as partes mais obscuras das ciências. Que o olho da mente seja puro; que os objetos estejam próximos; que a atenção esteja viva; e que, com o devido método, todas as coisas sejam oferecidas interligadas à observação. Então será possível apreender tudo com segurança e rapidez. Assim, a regra áurea dos que ensinam deve ser que todas as coisas, na medida do possível, devem ser postas diante dos sentidos. E como os sentidos são fiéis colaboradores da memória, aquele que chega a saber graças à demonstração sensível sabe para sempre.
           Por fim, o método para infundir a piedade, Comenius nos dá no capítulo XXIV. A piedade é um dom de Deus. É dada a nós por obra e virtude do Espírito Santo, no entanto, age ordinariamente por meios comuns e elege como ministros os pais, os preceptores e os ministros da igreja, que plantam e irrigam com cuidado e atenção os renovos do Paraíso (I Cor III, 8). Procuramos Deus notando os sinais da divindade em tudo o que é criado. Seguimos Deus, então, entregando-nos completamente à sua vontade.
          O método para atingir esse fim compreende o seguinte: o sentimento de piedade deve ser incutido desde a primeira infância; tão logo aprendam a usar olhos, língua, mãos e pés, devem aprender a olhar os céus, a erguer as mãos e a pronunciar o nome de Deus e de Cristo, a ajoelhar-se diante de sua invisível majestade e a respeitá-la; serão conduzidos ao reino de Deus, aqueles que, na terra, caminharem com Deus; caminham com Deus aqueles que o têm sempre diante dos olhos, que o temem, que obedecem à sua vontade; portanto, que os jovens se habituem a referir a Deus, direta ou indiretamente, tudo aquilo que virem, ouvirem, tocarem, fizerem ou sofrerem; que aprendam desde o princípio da vida a ocupar-se principalmente com as coisas que conduzem diretamente a Deus, como o estudo das Sagradas Escrituras, os exercícios de culto e as boas ações; finalmente, como neste estado de corrupção do mundo e da natureza não realizamos tantos progressos quanto deveríamos, e se algum progresso realizarmos, a própria carne corrompida nos induza a uma atitude de soberba e comprazimento espiritual, em vista do qual nossa salvação corra grave perigo, é preciso ensinar oportunamente a todos os cristãos que as mais sérias de nossas ocupações e nossas obras nada serão por sua intrínseca proteção, se não formos socorridos pela perfeição de Cristo, Cordeiro de Deus que retira os pecados do mundo e em quem apenas o Pai se comprouve (só Cristo deve ser invocado, só nele se deve depositar confiança; a esse único salvador de todos os homens, com o Pai e o Espírito Santo, dirijam-se os nossos louvores e homenagens, bênçãos e glória, por todos os séculos dos séculos, assim seja.
                     
4 – APRECIAÇÃO CRÍTICA.

            Com o intuito de demonstrar a superioridade da Promessa de Redenção ou Regeneração diante da aparência de perenidade contida na degenerada e iníqua corruptabilidade humana, Comenius vislumbra, como remédio, a universalização da educação, norteando-se no entendimento de que tal intento facilmente pode ser concretizado, pelo simples fato de que as sementes da instrução, das virtudes e da religião estão, naturalmente, em nós mesmos, de sorte que o homem, para ser homem, precisa ser formado sendo que a formação é muito fácil na primeira infância: ou melhor, só pode ser dada nessa idade. Ele percebeu que uma formação universal e de caráter coletivo nas escolas daria maiores condições de os jovens serem bem sucedidos neste empreendimento, ao tempo em que teve a lucidez suficiente para constatar a inadequação entre os fins da escola e a realidade daquelas existentes até a sua época. Comenius, em muitos aspectos estava à frete de sua época. Quando a tônica era a coerção e rigidez, ele propôs bondade, piedade e tolerância, sem abrir mão do princípio da autoridade essencial a toda atividade docente, mas sem excessos de qualquer natureza. E para isso, o sentimento de piedade deveria ser incutido nas crianças desde a sua primeira infância e, concomitantemente, em todas as escolas cristãs, as Sagradas Escrituras deveriam ser o alfa e o ômega. Porém, por trás da característica cultural e de estilo, encontra-se um moderno em concepção e atitude, sendo nítida a presença do linguajar religioso como luminosa “letra” na qual uma pedagogia que privilegia o humanismo na educação e uma quase insuspeita autonomia se configuram intrinsecamente como seu “espírito”.

5 – BIBLIOGRAFIA.

COMENIUS. Didática Magna.Aparelho Crítico: Marta Fattori. Trad.: Ivone Castilho Benedetti. 2 ED São Paulo: Martins Fontes, 2002 (Coleção Paidéia).






quarta-feira, 4 de maio de 2011

Um pouco de Jean-Jacques Rousseau...






    
      No segundo parágrafo do terceiro livro de O Emílio, Rousseau nos diz que a origem da fraqueza do homem reside na desigualdade encontrada entre sua força e seus desejos, assim como são as paixões que o tornam fraco, pela exacerbação de diligências para atingir o contentamento, estando bem acima da quota de força dispensada pela natureza. Então, quem domina os seus desejos economiza prudentemente as suas forças; o que deveria ocorrer como regra salutar na idade entre 12 a 15 anos.
À filosofia de gabinete, Rousseau nos sugere apelar à experiência, incitando-nos a “ver” nos campos rapagões lavrando, amanhando, conduzindo o arado, carregando tonéis de vinho, guiando carroças “como seus pais”.
Com isso, o filósofo francês não pretende focalizar a força física, nela mesma, mas a capacidade do espírito de as suprir e as dominar.
            Tempo curto e precioso, o período dos 12 aos 15 anos! É o de maior força relativa de um indivíduo.
Deve-se procurar usar com sabedoria o excedente de faculdades e de forças desta idade para prover uma outra idade vindoura, ou seja, a criança robusta deve fazer provisões do supérfluo para o homem fragilizado de uma idade futura (economia da vida).
Os progressos na geometria podem servir de medida de inteligência, mas uma coisa é achar uma média proporcional entre duas linhas e outra é encontrar um quadrado igual a um triângulo dado.
A princípio as crianças são apenas turbulentas, depois se tornam curiosas (dos 12 aos 15 anos) e, se esta curiosidade for bem dirigida, advém o verdadeiro conhecimento; não como fruto de um desejo de reconhecimento, mas como desenvolvimento daquela curiosidade natural inerente ao homem.
Rousseau argumenta que, numa ilha deserta, o filósofo solitário nunca priorizaria o manuseio de livros e de instrumentos mecânicos; mas, por instinto natural, a própria ilha, em toda a sua extensão, não lhe seria desconhecida em todos os seus detalhes e nuances.
Na fragilidade e na insuficiência, cuidando para nos conservarmos, concentramo-nos dentro de nós; ávidos de expansão, no âmbito da potência e da força, lançamo-nos tão longe quanto possível; porém, há os limites intelectuais que se esbarram entre o espaço alcançado pelos nossos olhos e o mensurado pelo nosso entendimento.
É pelas sensações, como primeiros guias das operações do espírito, que devemos chegar às idéias. “A criança que lê não pensa, só lê; não se instrui, aprende palavras”.
A criança que se habitua a ficar atenta aos fenômenos da natureza, sem a imediata satisfação quanto à devida explicação de tal e qual fenômeno, com muita facilidade, tornar-se-á curiosa a ponto de tentar achar respostas por si mesma. A compreensão solitária é mãe do verdadeiro conhecimento. Nunca autoridade alguma deverá ser maior do que a própria razão.
Nada de globos e mapas, ensina-se geografia indo direto à natureza.
Atenção desperta para as impressões dos cinco sentidos obtidas na aventura da comunhão com o nascer e o por do sol, por exemplo: o frescor do ar, os primeiros traços de fogo rasgando a madrugada, tornando-se um incêndio no céu, a pouco e pouco revelar a face do astro-rei como um ponto brilhante a iluminar todo o espaço, fazendo sumir as trevas; ao cair da tarde, pelo contrário, o horizonte, o sol a se lhe entregar, a morte aparente a se consumar, num contundente dissipar das formas, das cores e das proporções.
Desse modo, reconhece-se a própria terra em que se vive e encontra-se beleza nela. Pela manhã, como efeito do orvalho noturno, os vegetais se apresentam com novo vigor, reluzentes ao nosso olhar, que se extasia com tão viçosas cores e efeitos óticos complementares. É Deus mesmo, o pai da vida, a nos saudar através da ação de Suas Leis, no cantar ininterrupto dos pássaros. Enfim, a meia hora de tal encanto nenhum mortal resiste.
O professor pretende impressionar o aluno com sua eloqüência e conteúdo, mas é no coração que se deve buscar o crédito do aprendizado. É através da experiência direta que se adquire o “sentimento” do conhecer. Como conhecer a natureza e seus caprichos se não for pela experiência de contato direto com planícies áridas, areias ardentes, rochas ásperos e sólidas, flores perfumadas, águas frias e fluidas, relvas moles e doces, e etc.?
Apresentar os objetos do conhecimento no momento certo, proferir uma pergunta lacônica e aguardar os passos pelo caminho das respostas. Ensinar com o silêncio, seguido de sugestões breves para reflexões livres, retomando o silêncio inicial, como exemplo.
Às indagações, reversões; de forma a promover esclarecimento através das interrogações às interrogações: ser um parceiro no conhecer, não um professor “sábio”.
Através de exemplos simples, descrever a complexa simplicidade dos fenômenos do mundo. Porém ter cuidado para não substituir a coisa pela sua representação.
Não pretender elevar as crianças ao nosso nível de mestres, mas nos elevarmos à sua condição de discípulos. “Ensinar a”? Não, “aprender com”?
Ao além, antes o aqui. Antes de ensinar a respeito das estrelas, localizar a casa, a rua onde se mora.
Referências domésticas são importantes e até imprescindíveis: à distância entre dois pontos, exemplificar através da casa de campo da família em ligação direta à casa da cidade.
Guiar sem interferir. Possibilitar aprendizagem com erros assimilados e corrigidos pelas próprias crianças.
Não ensinar quantitativamente, mas formar as mentes qualitativa e esclarescidamente.
Saber pouco e sem enganos é melhor do que saber muito equivocadamente.
Portanto, como podemos perceber, vale a pena ler Rousseau!

Jorge Pi

sábado, 9 de abril de 2011

O Conceito de Filosofia - Cirne Lima



(Aula inaugural do Curso de Pós-graduação em nível de especialização A Filosofia e seu Ensino, realizada em 14 de Abril de 2007, realizada pelo prof. Dr. Carlos Roberto Cirne-Lima, na Unisinos, sala conecta.)


Fonte: http://video.google.com/videoplay?docid=-5592044727608988205#






sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Filo-Filo-Sofia


Ser um filósofo
(com efe minúsculo),
no sentido de ser
um amante da busca
do ser amigo do Saber.
E Saber como certa "tensão"
que se pode experienciar,
humanamente,
no processo do Conhecer
e, não, como "pré-tensão"
de se tornar detenter
do que se possa vir a Conhecer.
Gostar mesmo de pensar
que se é um filo-filósofo:
um pequeno amigo
da Amizade ao Saber.
Quer dizer:
um eterno curioso...
como todo ser humano deveria ser.

Jorge Pi


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sobre o 13º Salário

Outro e_mail recebido (autor desconhecido):


"O 13º Salário NUNCA Existiu...
(Não tinha pensado nesta! Brilhante, de fato!)


Os Ingleses recebem os ordenados semanalmente!
Mas ... há sempre uma razão para as coisas - e os ingleses NÃO FAZEM NADA POR ACASO!!!
Ora bem, cá está um exemplo aritmético simples que não exige altos conhecimentos de Matemática mas talvez necessite de conhecimentos médios de desmontagem de retórica enganosa.
Uma forma de desmascarar os brilhantes neo-liberais e os seus técnicos (lacaios) que recebem pensões de ouro para nos enganarem com as suas brilhantes teorias...
Fala-se que o governo pode vir a não pagar aos funcionários públicos o 13º salário.Se o fizerem, é uma roubalheira sobre outra roubalheira.
Perguntarão porquê.
Respondo: Porque o 13º salário não existe.
O 13º salário é uma das mais escandalosas de todas as mentiras do sistema capitalista, é justamente aquela que os trabalhadores mais acreditam.
Eis aqui uma modesta demonstração aritmética de como foi fácil enganar os trabalhadores.
Suponhamos que você ganha R$ 700,00 por mês. Multiplicando-se esse salário por 12 meses, você recebe um total de R$ 8.400,00 por um ano de doze meses.
R$ 700 X 12 = R$ 8.400,00
Em Dezembro, o generoso patrão manda então pagar-lhe o conhecido 13º salário. É lei...
R$ 8.400,00 + 13º salário = R$ 9.100,00
R$ 8.400,00 (Salário anual) + R$ 700,00 (13º salário) = R$ 9.100 (Salário anual mais o 13º salário)
O trabalhador vai para casa todo feliz com o patrão.
Agora veja bem o que acontece quando o trabalhador se predispõe a fazer uma simples conta que aprendeu no Ensino Fundamental:
Se o trabalhador recebe R$ 700,00 mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana R$ 175,00.
R$ 700,00 (Salário mensal) / 4 (semanas do mês) = R$ 175,00 (Salário semanal)
O ano tem 52 semanas. Se multiplicarmos R$ 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será R$ 9.100,00.
R$ 175,00 (Salário semanal) X 52 (número de semanas anuais) = R$ 9.100.00
O resultado acima é o mesmo valor do Salário anual mais o 13º salário
Surpresa, surpresa? Onde está portanto o 13º Salário?
A explicação é simples, embora os nossos conhecidos líderes nunca se tenham dado conta desse fato simples.
A resposta é que o patrão lhe rouba uma parte do salário durante todo o ano, pela simples razão de que há meses com 30 dias, outros com 31 e também meses com quatro ou cinco semanas (ainda assim, apesar de cinco semanas o patrão só paga quatro semanas) o salário é o mesmo tenha o mês 30 ou 31 dias, quatro ou cinco semanas.
No final do ano o generoso patrão presenteia o trabalhador com um 13º salário, cujo dinheiro saiu do próprio bolso do trabalhador.
Se o governo retirar o 13º salário dos trabalhadores da função pública, o roubo é duplo.
Daí que, como palavra final para os trabalhadores inteligentes. Não existe nenhum 13º salário. O patrão apenas devolve o que sorrateiramente lhe surrupiou do salário anual.

Conclusão: Os Trabalhadores recebem o que já trabalharam e não um adicional."

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

E o cérebro leu...


Mandaram-me, por e-mail (autor desconhecido):

"De aorcdo com uma peqsiusa
de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as

Lteras de uma plravaa etãso,

a úncia csioa iprotmatne é que

a piremria e útmlia Lteras etejasm

no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê

anida pdoe ler sem pobrlmea.

Itso é poqrue nós não lmeos

cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa

cmoo um tdoo.

 

Agora, fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito...


35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O!
NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO?
POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O!
SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!"

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Olho de Hórus


      O YOU TUBE, pelo seu caráter eminentemente democrático e sua abrangência indiscutivelmente universal, acabou por se tornar um valioso canal de veiculação, através da web, das mais diversas e, muitas vezes, inusitadas expressões de idéias e conceitos, os mais variados, que podem ser classificados do bizarra até a mais Fina Flor das Realizações da Humanidade.
       Lá encontrei algo surpreendente que aqui gostaria de partilhar. E, apesar de que o meu intuito  é apenas o de fomentar a re-flexão, peço, todavia, que procure assistir a este documentário ao menos como se fosse a um imaginativo e deleitoso filme de ficção. 
       Trata-se, no entanto, de uma inusitada narrativa sobre a História não-Oficial do Antigo Egito, que, segundo o autor, abrangeria desde a lendária Atlântida até o final da própria civilização egipcia. E aqui reside o ponto polêmico que pode ser razoavelmente tomado como mítico, irônica e ceticamente como fictício ou  fantástica e surpreendentimente como histórico-elucidativo: a alusão associativa à lembrança tradicional de muitas culturas antigas quanto a um Grande Dilúvio Mundial que teria ocorrido há quase 13.000 anos.
       Aliás, o liame de mistério que permeia o documentário é a tese segundo a qual, a despeito de a avançadíssima Civilização Altlante ter sido tragada pelas águas do Oceano Atlântico, sua herança cultural, artístico-religiosa, científico-tecnológica, bem como místico-filosófica, ter-nos-ia sido preservada, perpetuada e cuidadosamente transmitida de forma sigilosa e segura, inicialmente, por "sacerdotes-cientistas" atlantes (sobreviventes do Continete Destruído pelas águas do Atlântico) e, posteriormente, através de uma intensa e sistemática atividade iniciática atrelada à chamada Ordem do Olho de Horus, que  teria sido uma Escola de Mistéios responsável por tudo que fora surpreendentemente realizado pelos egípcios antigos e que constitui um desconcertante enigma, mesmo para a mais avançada tecnologia de nossa Pretenciosa Civilização Materialista Contemporânea.
      Por tudo isso, sugiro que assista ao vídeo inicial e, se hover interesse, acesse, no You Tube, os outros 49 vídeos que compõem o documentário completo, cujos endereços estão listados abaixo.
       No mais, Boa Iniciação!!! 


Jorge Pi